Floresta Amazônica

 

 

PARÁ - PA

 

Alter do Chão , Rio Tapajós e Arapiuns

 

PAISAGENS - IMPRESSÕES SENSORIAIS

 

Dias e noites a bordo navegando por rios caudalosos e doces e na companhia de seus espelhos d'água que ali eram meu novo chão. Um chão-rio que refletia céu, pássaros, ombros, remos, nuvens e vegetação.

 

Dias de navegação no convés observando aquelas margens-paisagens, me davam a sensação de eu estar vendo um filme na minha frente e com a câmera aninhada no meu coração. Infinito plano contínuo feito de flora tropical. Mata exuberante e extremamente delicada.

 

E a cada chuva na floresta eu me lembrava do Pajé dizendo que chovia porque alguém precisava ser banhado pelas plantas medicinais da mata.

 

Momentos sagrados as navegações e as explorações feitas em canoas pelos Igarapés e Igapós assim como tantos outros, como os deliciosos banhos nos rios ao entardecer que levarei sempre comigo. Dormindo na rede, comendo como uma caiçara, a cada dia me sentia mais e mais em casa, um gostinho de cabocla. Afinal lar é onde o coração está. Tive também a sorte de ter maravilhosos anfitriões locais no barco onde estava, representantes das comunidades ribeirinhas que generosamente nos guiaram por suas matas, suas aldeias, sua cultura e suas famílias.

 

Logo no começo da viagem, um dia antes do nosso tão esperado primeiro passeio na Grande Floresta, já o primeiro presságio, ou como diriam os lamas tibetanos, sinais auspiciosos! Atracamos no final da tarde, um céu vestido de azul delicado, um majestoso pássaro sobrevoando o barco (talvez o mítico Garuda), e no improvisado e simpático templo-convés Lama Caroline entoando seus mantras. Um par de golfinhos curiosos surgem para nos saudar e num pequeno morro atrás da restinga, lembrando o sagrado Monte Meru, surge um arco-íris. Pronto, seríamos bem recebidos na Floresta! Sei que muitos outros que estavam ali comigo se recordarão desse especial momento de boas vindas.

 

COMO CHEGAR

 

A saída para a navegação no Rio Tapajós e seus afluentes foram feitas a partir de Alter do Chão, um delicioso vilarejo às margens do rio e que fica a uns 20 minutos de carro do aeroporto de Santarém/PA (pode pegar um táxi ou transporte público). Esse trajeto pode ser feito de barco também (saída do pier de Santarém) e aí você vai curtir o encontro do Rio Tapajós com o Amazonas.

 

 

DICAS PESSOAIS

 

 Alter do Chão/PA:

 

- Você pode se programar para ficar em Alter do Chão (muito mais simpático que Santarém) e ali você vai encontrar onde se hospedar, vai ter acesso à arte e ao artesanato indígenas de diversas tribos do norte, vai degustar os pratos típicos da cozinha regional (os peixes são um capítulo à parte!), vai poder organizar seus passeios de barco saindo de lá e de noite ainda dançar o autêntico carimbó!

Se precisar de uma mão, procure pela agência de ecoturismo Mãe Natureza que pode te auxiliar com serviços de traslados, passeios, aluguel de casas, etc. O site é http://www.maenaturezaecoturismo.com.br/

 

- Bom, eu fiz minha viagem pelo Rio Tapajós e comunidades ribeirinhas do Arapiuns pela "AACHAA", Associação de Artes Curativas Himalaia-Amazônia-Andes, uma associação ligada ao Centro de Dharma da Paz Shi De Tcho Tsog, de Budismo Tibetano, em São Paulo. Foi uma expedição aberta ao turismo também, independente de qualquer ligação com o budismo ou o trabalho da própria Associação.  Uma grande oportunidade de estar em contato estreito com a cultura indígena local, acessar suas comunidades, seus costumes, seus desafios, trocar experiências e fazer grandes amigos.  Contato da AACHA: e-mail: aachaa5@gmail.com . Se quiser dar uma conferida nessa expedição realizada em 2012, segue  o link do teaser feito pelo videomaker Fausto Kutka: http://www.youtube.com/watch?v=Px-5nLfssgE

 

- Nessa expedição conheci o líder comunitário Dinael (Santarém/PA) engajado nas lutas pela demarcação e preservação de terras e reservas de seu povo, e que é um grande anfitrião e conhecedor da região. Atualmente ele também organiza passeios de turismo diferenciado (em contato com as raízes) pelo Rio Tapajós e seus afluentes. Para falar com ele: dinaelanjos@hotmail.com , movimentoarapiuns@gmail.com ou pelo cel: 55-93- 9158 7789*

 

- Uma outra forma de fazer um turismo mais participativo é engajar-se na proposta do Projeto Saúde & Alegria, uma premiada e atuante organização de trabalhos sócio-educacionais na região e que organiza um ecoturismo comunitário. Conheça-os melhor através do link http://saudeealegria.org.br/

 

- Se passar 1 dia em Santarém, acho que o que vale a pena fazer é dar um pulo no Pier, tomar um sorvete de frutas regionais ou uma Cerpa (cerveja paraense), e ir ver o Encontro das Águas do Rio Tapajôs com o Rio Amazonas , além das magníficas Vitórias-Régias que ficam nas proximidades. E se for sábado dê um pulo no mercado da cidade, uma aventura sensorial intensa de cores, perfumes, texturas e sabores exóticos.

 

 

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AMAZONAS - AM

 

Caindo na real ou Nirvana-Samsara.

 

Se não quiser perder o embalo das narrativas de viagens, vai direto para o próximo item.

 

Hoje entendo que aqui foi plantada a semente para esse blog. Explico: voltava do meu idílico passeio navegando pelo Tapajós e Arapiuns com meu voo fazendo escala em Manaus e havia resolvido descer  ali e ficar mais alguns dias para conhecer Manaus e um pouco mais da Floresta Amazônica.

 

Confesso que não foi nada fácil me movimentar turisticamente por lá. Me vi brasileira, viajando no meu próprio país, falando a mesma língua, acostumada a viajar, conhecedora da cultura nacional e muita gente querendo dar golpe em cima de turista (seja gringo ou da casa). Foi chato. Tanto no sentido de preços exorbitantes, como se apresentar em nome de uma agência e ser mentira, como perceber que não tinha colete salva-vidas para todos os tripulantes do barco de um determinado passeio (e deu tempestade e o piloto se jogou na água para fazer sei-lá-eu-o-quê). Mais aquele mico de quererem te vender goela abaixo a programação 'empacotada' (o pacote do restaurante, da loja, da visita onde passou a Rede Globo...socorro!!?...e tudo isso porque eu só queria ir nadar com os botos). E olha que fui recepcionada no aeroporto por uma pessoa de lá, super gentil, que me deu dicas da cidade e me preveniu claramente para fazer passeios com agências e não direto no Pier. Ok, me informei direitinho, peguei indicações e referências e mesmo assim não foi nada fácil.

 

Porém, como sou abençoada nas minhas viagens, depois desse pequeno stress inicial tudo fluiu bem. E eu estava ali para explorar e deixar fluir a experiência e não para ficar enroscada nessas tramas. Vejo também que num desses caminhos tortuosos eu fui conhecer o exemplar Mathias, nosso guia nos dias de floresta. Um indígena das Guianas, bilingue, e super treinado e preparado para as trilhas na mata e as explorações com canoas.

 

 

PAISAGENS - IMPRESSÕES SENSORIAIS

 

Manaus, Rio Juma e Negro

 

Bom, com a minha passagem pela Amazônia do Pará eu já estava extasiada com todo um novo e generoso universo que pude conhecer de frutas tropicais, peixes, palmeiras, plantas medicinais, árvores sagradas, a vegetação dos Igarapés e Igapós, contato com as aldeias e suas tradições e assim continuou.

 

São experiências mágicas o encontro das águas quando ainda correm lado a lado sem se misturar, tanto do Rio Tapajós com o Rio Amazonas (pode ser em Santarém/PA), como do Rio Negro com o Solimões (Manaus/AM). Próximo desses fenômenos com certeza encontraremos ELAS, essas deusas aquáticas. Ver uma Vitória Régia é como estar na presença de um arquétipo do Feminino. Nossa flor de lótus. Se daqui você quiser voltar para casa, já valeu a viagem. Mas sabemos que ainda não é hora, mais presentes virão.

 

Fui levada dentro de um carro todo arrebentado para a frente de uma agência de turismo que não tinha nada a ver com aquele cara que fora me pegar no hotel para que eu encontrasse as outras pessoas que iriam também no passeio de 2 dias para a floresta do Rio Juma. Entro no banco de trás de um carro e ali já estão me esperando os outros 2 viajantes, vindo cada um pelo seu caminho de buscas na internet. Nesse momento conheço também o nosso guia, o Mathias, que segue em silêncio ao lado do motorista. Já logo de cara formou-se uma solidariedade no banco de trás, se apresentando Patrik, um sueco de Estocolmo e Rohit um indiano que mora nos EUA. Começava ali nossa simpática aventura. Mais de três horas até a chegada ao nosso destino. Primeiro num barco (tuc-tuc) até um vilarejo na outra margem do rio, depois carro por uma estrada tipo transamazônica com muita terra e barro e de repente uma parada especial: um lago cheio de vitórias régias e ao fundo búfalos d'água que até então eu não sabia que eram criados no Brasil. Uma surpresa encantadora, pois me lembrou da Índia onde eu os via nas margens do Ganges em Varanasi ou na região rural de Kajuraho. Talvez fossem as boas vindas ao Rohit que era o indiano.

 

A etapa final é feita novamente por rio numa canoinha de motor de popa deslizando pelas macias águas do Juma até nosso pequeno paraíso no meio da floresta. Seria capaz de passar dias a fio só ali navegando pelo Juma, delicado e nutridor.

 

Daí em diante ficamos hospedados num refúgio chamado Caboclo Lodge, muito simpático com chalés-palafitas às margens do rio, comida típica, passeios de canoa, banhos, relaxamento e muita aventura na Floresta. De manhã cedo ou ao entardecer momentos mágicos para avistarmos botos (rosas e cinzas!), a noite sair para a focagem de jacarés e um dia inteiro de trilhas no coração da floresta.

 

COMO CHEGAR

 

Lembre-se que Manaus é uma das portas de entrada para a Grande Floresta e quanto antes você reservar sua passagem de avião melhor. E dependendo do seu roteiro e tempo de viagem dá até para pensar em percursos maiores navegando pelo rio.

 

 

DICAS PESSOAIS

 

- Em Manaus reserve um dia para conhecer o Teatro Amazonas, seus arredores e se for domingo você vai pegar no centro uma grande feira de artesanato regional. Próximo à praça do teatro você vai encontrar um apoio ao turismo, calçadões, restaurantes, lojas e a maioria dos Hotéis/hospedagens. Ali fica perto do Pier de onde saem a maioria dos passeios, porém lembre-se de que todo cuidado é pouco conforme narrado anteriormente, fique atento aos valores cobrados, detalhamento da programação dos passeios, segurança das embarcações, etc. A maioria dos passeios são distantes, portanto reserve disponibilidade para dormir fora alguma(s) noite(s) dependendo da sua escolha e combine isso anteriormente onde você estiver hospedado. No mais, confie na intuição e deixe fluir a experiência e o que a Floresta trará para você!

 

- Para ir fazer expedições/passeios dentro da selva, contate o experiente guia Mathias, em Manaus. Deixo aqui os contatos que ele nos deixou: Email: raymathias@hotmail.com/ celulares: 55-92- 8142 2321*/ 55-92- 9242 6036*.

 

- Para informações sobre passeios em geral, roteiros ou formação de pequenos grupos contate antecipadamente Rocilda, uma agente de turismo autônoma e de confiança. Seu contato: email: rocilda21@hotmail.com

 

Obs. Extras:

 

1) Quando viajar: a Região Amazônica pode ser visitada durante o ano todo. No entanto, existem duas estações bem distintas, que devem ser levadas em conta:

 

- Estação da Cheia: de Março a Agosto, quando os níveis das águas aumentam até 15 metros. Esta é a estação ideal para se visitar os  Igarapés (rios estreitos) e Igapós (terrenos alagadiços, inundados) em toda sua beleza.
- Estação da Seca: de Setembro a Fevereiro, o nível dos rios atinge seu ponto mais baixo, surgem os bancos de areia formando praias fluviais paradisíacas, diminui o espaço para os peixes e torna a pesca mais fácil (sic), assim como a focagem de jacarés.

 

2) Como é uma região de Floresta, recomendável tomar vacina de febre amarela.

 

* se tiver problemas com os nºs celulares, acrescentar o dígito 9 na frente dos nºs locais.

 

 

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